segunda-feira, 9 de maio de 2011

Texto de alunas

Meus alunos me surpreendem. Outro dia, pedi que fizessem uma crônica de humor sobre o cotidiano escolar, e olha a surpresa aí em baixo! Adorei!

Professores e suas "manias"

Todos alguma vez já pararam para observar seus professores e certamente os que ainda não fizeram, após a leitura desse texto, com certeza irão.
Sentados de frente para o quadro, eis que surgem "eles"... Os professores.
A primeira "figura" que iremos citar, não é mais nada mais nem nada menos que a nossa querida professora de inglês. Ela vive nos dando lições de moral e nos fazendo pensar em nosso futuro não tão distante. Ah! e como ela facilmente consegue mudar de um assunto para o outro totalmente diferente, além disso ela canta, dança, ri e se acha a ultima cocada preta do mundo. Apesar disso tudo, ela não deixa de sair da sala sem o seu "pequeno resumo" no quadro inteiro.
Não podemos esquecer-nos da "tampinha, mas não invisível" professora de ciências, que quase não sorri em sua aula, é jogo duro. Ela sempre da110% de seu conhecimento em todas as suas aulas, mas se quiser fazê-la sorrir... Fale sobre jegues, sim! Ela tem uma "atração" por jegues.
Matemática... Ah matemática! Matéria das emoções. Temos um bom professor que ensina bem, é amigo de seus alunos, quando preciso da umas broncas, enche a gente de atividades "pro nosso bem", mas quem nunca se questionou quando ele olha em nossa direção, mas não esta nos olhando e sim olhando para o teto? O que tem no teto? Cansamos de acompanhar seu olhar a procura de um monstro invisível, talvez?!
Aula de redação... A gente ri, escreve texto, brinca, escreve texto, faz atividades avaliativas, escreve textos e não podemos esquecer que escrevemos textos. Sim, escrevemos muitos textos. A professora da gente sempre entra na sala com um sorriso imenso no rosto, meio descabelada e muito feliz. Quando ela fala, seus olhos chegam a brilhar de emoção, ou loucura mesmo. A questão é que ela sempre, sempre nos faz lembrar Alvin e os esquilos após uma boa dose de café e nos faz rir, e nos sentir felizes mesmo escrevendo textos e mais textos.
Bom, descrevemos alguns dos nossos professores que apesar de suas não tão perfeitas perfeições nos fazem felizes, inteligentes e pessoas capazes de um futuro melhor, um futuro digno e com conhecimento. Desculpe aqueles não foram citados, não significa que não gostamos de vocês ou que vocês são menos importantes... Muito pelo contrário adoramos todos vocês.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Epopeia


Uma dor triste, um coração cicatrizado...




Que ninguém vai atender...


Não vale a pena...



Quando eu jurei meu amor eu traí a mim mesmo



Nem se atreva!

sábado, 30 de abril de 2011

Deixo para amanhã

Individualidade espontânea reprime-se, oprimida pelo imposto trabalho e pelas seduções brilhantes do entretenimento.
Saco...

Pós-modernidade

Admito (plágio talvez permitido): acho que estou ficando sentimentaloide mesmo. Hoje me emocionei assistindo a Leandro e Leonardo! O contexto pode ter sido favorável para isso (e é sempre): sábado, à noite, eu em casa, sozinha, comendo (de colher) um resto de brigadeiro duro da geladeira e tentando aproveitar os R$69,90 que me custa ter uma TV a cabo de que nunca consigo usufruir. Enfim, deu pra perceber como a coisa estava boa pra meu lado.
    Pois então, como dizia, cá estou eu, em pleno fim de semana que "bomba" no verão soteropolitano. Fico só, diante da TV e me emociono com a pieguice pura da música sertaneja. Achei bonito o modo como a dupla, despretensiosamente, cantava seu sucesso brega, com seu público ordinariamente apaixonado.
         Como passei a acreditar, só há estranhamento na arte com identificação e, inconsciente disso nesse momento, tive uma catarse (acreditem!) com a letra boba de um amor saudoso.
         É fato: pode não haver vanguarda, inovação, rebuscamento metafórico na cultura de massa, mas ela é inevitavelmente – como dizem seus representantes – “flecha de cupido” sobre qualquer um. Isso é que é interessante. Porém, é justamente essa fácil acessibilidade que a distancia daqueles que se julgam intelectuais: sempre querendo a “área VIP” (denominada “cena alternativa” ou “cult”), gente pretensiosa, que se considera queísticamente superior, não permite (ou não admite) que a comoção tome conta de si a partir de algo que atinge a tanta gente. é preciso ser diferente, pertencer ao universo “in” e, com um olhar desdenhoso e quase enjoado, afirmar que aquilo não lhe acrescenta nada... Na moral, minha gente, desde quando arte TEM que acrescentar alguma coisa? A arte pode despertar um olhar, um sentimento, um estranhamento, e cada um fará disso o que quiser e tiver capacidade.
         Chamo a música que ouvi de arte, sim, porque fui tocada por uma experiência estética. Permiti-me. Não quero achar que, para algo me atingir, seja necessariamente rebuscado e cheio de intertextualidades restritíssimas.
         Minha gente, parece que o Parnasianismo está voltando. Já chega disso, né? Desde 1922 se tenta derrubar essa visão tão limitada. Experiências catárticas acontecem sob várias sensações: desde a depressão amorosa (com Vinícius e Leandro & Leonardo) à libido (lindamente descrita por Clarice, mas visceralmente vivida e incitada por Léo Santana).
         Assim, voltemos ao mundo compartilhado. Torres de marfim são lindas, mas não precisam ser tão altas. Podemos descer ao play e carnavalizar, mortais que somos. Aliás, acho que, na verdade, esse é um desejo inconsciente, reprimido por uma vaidade social, que nos coíbe o arrepio dos pelos diante daquilo que nos identifica como iguais. Faz sentido?
         Ou é isso, ou eu tô ficando besta mesmo.
        
P.S.: Fica a dica: este texto foi inspirado em “Temporal de Amor” (Leandro e Leonardo) e “Desce” (perfeita de Arnaldo Antunes).

Pseudo-memória

Coisa doida é fotografia, pintura, representações que sejam. Não é que elas captam o sentimento, mas têm potência para provocar. Inquieta, a imagem sorri morta: "Ceci n'est pas une pipe". Mas nós, iludidos na falaciosa busca humana, enxergamos vida, vemos sombras e pensamos ser gente. Pensamos que, só porque há felicidade captada em flash, haverá possibilidade de retomá-la, senti-la de novo. Vemos, mais uma vez, um olhar que parece pôr pra fora qualquer sentimento, mas nem sabemos que até mesmo os olhares podem ser apenas imagens: atores da caverna.
Às vezes, não: translucidamo-nos. Deixamos aparecer nosso eu sincero (quase sempre involuntariamente, é claro - sorte dos que podem fazê-lo conscientes); como se, por um lapso, nos esquecêssemos das máscaras e nosso sentimento quisesse sair, pôr a cara no mundo, olhar bem nos olhos do grande mágico, aproveitando o desleixo da porta entreaberta.
Só quem já sentiu na pele as consequências de ter deixado (sem querer) um sentimento aparecer em uma fotografia sabe a raiva que dá no momento da re-ve-la-ção. Complicado. Não se pode esconder a cara num buraco: ela está lá, estampada, explícita, provando o que se queria esconder, flagrante de um milésimo de segundo.
Mas tudo bem. É assim que funciona. Acho que não dá para encenar o tempo inteiro. De vez em quando, alguém nos fotografa sem câmera, vê esses instantes de brecha para a alma e percebe, mas não tem como provar, ou rever. Mas, cá entre nós, são essas as fotografias mais verossímeis: contemplam, ao mesmo tempo, o olhar do outro e o nosso. Passam-se tempos e se pode retomar, desses álbuns incontritos e inconcretos, o que importa mesmo. Se é verdade ou não, só interessa a versão, lembrança, recordação. Afinal, se tudo é representação, valoremos aquilo de cuja construção fizemos parte.

Momento

Chega um momento
Em que o omisso grita.

Sufocamo-lo sempre
Mas seu sentido supera
Qualquer auto-ajuda.

Chega um momento
Em que o sonho, triste que seja,
Vil que surja,
Bruto que nasça,
Precisa se libertar

É quando, enfim,
Deparamo-nos com o que há de mais íntimo,
Aquilo que, de tão empurrado, escondido, abafado,
Impregnou-se tanto
Que sai com e como parte de nós
Como pedaço da nossa forma humana

O tosco busca sair,
Mas somos nós que o ruminamos todos os dias
Envergonhados, embora.

Mas eis que chega o momento
(inevitável instante da temida exposição)
E, expostos ao julgamento alheio,
Vomitamos um naco de nossas almas

Chega o momento
Em que é preciso olhar
bem no fundo dos grandes olhos do feitor.

É quando, enfim,
Nos livramos dele
Ou descobrimos, em sobressalto,
Que o castigo jamais existiu.



Prenhe-poética

Todo esse tempo
Essa aflita felicidade inquieta
Só tentou abafar o que era óbvio:
Estou grávida de poesia.

Com medo que os filhos me lembrem seu pai,
Esqueci a gestação
Que se seguiu silenciosamente involuntária.

E hoje descobri que,
sendo a dor parte do parto,
aceito-a,
ansiosa que estou de sentir a maternidade.

Os momentos de inspiração fecundinária
Virão inevitáveis nos olhos do rebento.
Mas ele é tão belo
Que consola a melancólica mágoa que me recorda.

Que venha a dor, mal de quem ama;
Que traga o choro, fruto dos ventres vazios;
Que chegue tudo o que sempre escondi
Por trás desse sorriso.

Quero que a verdade abafada dos travesseiros berre nas madrugadas
E eu, acordada, acalentando-a,
Possa amamentar-me de esperança
Para, quem sabe um dia,
Voltar a ser fértil.

Galope

Queria mesmo escrever uma carta. Sempre soube que era melhor no papel do que na voz.Parece que os acontecimentos conspiram conscientemente. O pensar positivo pode ser um iludir-se. É claro que é mais confortante pensar que “tudo tem seu momento”, mas é preciso tomar as rédeas da vida, um cavalo que não é livre, mas corre descontroladamente para onde lhe abrem um caminho tonto, desesperado, fugindo de si – rota de fuga. Escolha... De repente, depara-se com um grande  oceano em tempestade: a onda o toma e leva-o a mais uma trajetória desconhecida, na qual ele continua cavalgando, cada vez mais sufocado, em busca incansável pela perfeição do percurso, lamentando-se e  (des?)culpando-se a cada deslize fora da linha traçada pela grande força das águas. Quem dera a esse galope ter asas, chifre ou quem o governasse para tirá-lo desse afogamento agora inevitável. Talvez pudesse emergir e abrir os olhos no ar, encher o peito do mais puro ar do céu que toca o oceano na linha intocável: o sonho.

Há tempos...

Que seja assim então...Dias cheios, telefonemas, encontros
E a plenitude do vazio.
A saudade inunda de nadae a mente busca o preenchimento por ocupação.
Foco: Nego-ócio.
Sigamos em frente
Quem sabe isso acabeou se acomode, obrigado.
De nada.

Resposta

-Não sei se sabe que era de você que eu estava falando.
-Foi? Não percebi relação.
-A relação fui eu que fiz. De fato, não havia. Inventei.
-E o que quis dizer?
-Quis, não. Disse.
-Que seja, então. O que disse?
-Disse-me a você. Mostrei quem sou e o que quero.
-Mas pelo menos está lúcida: Você mesma disse que foi ilusão.
-Ilusão, não. Criação. Mas parece que errei de palavra. Você soa mais certo.
-Se ligue: eu não vou viajar na sua pieguice que indiretamente tenta me comover, achando que me seduz. Sendo duro e franco: acho que você cria expectativas demais. Relaxe. Tô bem como tô, aqui, buscando o que quero.
-Entendo. Mas não me importo com você, como está ou coisa do tipo. Na verdade, era importante ter um alvo para servir de inspiração, algo como uma droga, que você sabe que é alucinógeno, mas se preocupa apenas com o efeito. Entende?
-Não, mas tudo bem. Desde que você não me importune ou faça cara de criança chorona quando vir o que não quer.
-Se falar com você qualquer amenidade for importuná-lo, avise. Paro tranquila. E quanto à "cara de criança chorona", reforço: não é para você; é só efeito. Não desejo qualquer tipo de preocupação da sua parte, ok?
-Agora estamos conscientes.
-Eu sempre estive, só achei que não havia necessidade de grosseria. Mas tudo bem. Não me magoa sinceridade. Tenho consciência emocional (não tanta inteligência quanto você pensa que tem).
-Ok, então. Parece que chegamos a um nível ruim, mas tudo bem. Pelo menos esclarecemos tudo.
-Esclareci a você. O nível, para mim, é o de sempre. Mas saio disso, porque o que mudou foi meu interesse. Acho que agora, vendo você real, perdi a vontade de torná-lo ideal. Sempre foi uma personagem esférica em minha literatura, mas agora se mostrou totalmete plano e previsível. Preciso mudar de fonte. Cansei.
-Beleza então.
-Beleza.

(Ela volta para casa. Revê fotos antigas e sorri. Fecha seus álbuns e cadernos e seu clelular lhe lembra que tem hora marcada no salão)

Fim do primeiro ato.